Preciso pagar gorjeta?

junho 17
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Alguns clientes na Argentina deixam um  agradecimento de 10 ou 20% em relação ao valor total da conta para mostrar sua satisfação com o serviço prestado nos restaurantes e bares da Argentina. Pague o extra APENAS se quiser.

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Os trabalhadores argentinos não são bem remunerados e o custo de vida na capital é alto, por isso a gorjeta é um dinheiro extra que ajuda na renda familiar.  Na maioria das vezes, eles são insistentes e pressionam para que o cliente pague.  Em muitos lugares, eles chegam a ser hostis se não recebem algo a mais. Mas ninguém é obrigado a pagar e você pode reclamar do funcionário caso acha que ele causou algum constrangimento.  Mas pense bem se realmente é necessário isso e seja justo. Claro que há funcionários educados na hora de pedir gorjeta também.

É preciso ter em conta que almoçar e jantar na Argentina já está caro. A inflação dos alimentos é alta, os donos de restaurantes e bares repassam os custos da escala de preços e muitos aproveitam para lucrar ainda mais com isso, com a desculpa que tudo está mais caro.

Uma simples refeição pode sair por, nada menos do que, 140 pesos para uma pessoa nos restaurantes mais baratos da região central (um prato de milanesa e batata frita, acompanhado de um refrigerante pequeno). Em Puerto Madero, por exemplo, é fácil desembolsar de 900 a 1.200 pesos.

Saiba mais sobre onde comer aqui.

Quem vai viajar de ônibus  para outro destino deve ter cuidado com a cobraça indevida de gorjeta na “la Terminal de Retiro”. É que muita gente tenta ganhar dinheiro do outro assim: no ponto de embarque e desembarque de táxis, algumas pessoas agem muito rápido tentando pegar suas malas, bolsas e mochilas para colocar ou retirá-las do carro. E, no final, quase te obrigam a pagar uma gorjeta a força. Alguns chegam a causar medo, gritando ou literalmente enfiando a cara na sua. A situação ainda é pior se quem viaja é mulher sozinha ou acompanhada de outra ou se já é a noite.

A dica é: segure firme a sua mala e diga que não precisa de ajuda. Agradeça para não causar problemas. Se tiver medo ou houver algum problema, chame a polícia. Ninguém é obrigado a pagar por isso.

Relembre as dicas de la Terminal de Retiro aqui. 

Cemitério da Recoleta: imperdível

junho 16
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Imagine um cemitério com mais de três mil túmulos, várias esculturas e traços arquitetônicos do mundo inteiro, no coração de um dos bairros mais charmosos e agradáveis de Buenos Aires, a Recoleta. Ao redor dele estão bares, restaurantes, shoppings, centros culturais e sorveterias numa área de prédios residenciais, gramados e jardim. 

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Esse é o Cemitério da Recoleta. O local que mais se parece um museu a céu aberto, atrai o maior número de visitas na cidade em busca da beleza, sepulturas de famosos e histórias surpreendentes.

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Nele, o medo de alma penada, coveiro, sepulturas, túmulos e tumbas dá espaço para a curiosidade.  Entre perambular pelas ruelas e becos do mundo dos mortos da alta sociedade portenha, você conhece histórias de comoção nacional por corpos roubados, como da Evita.

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Gente enterrada viva e tumbas vazias que nunca recebeu defunto. Quem cedeu um espaço no mausoléu da família para enterrar um membro muito especial: o cachorro. Descobre que um dos vencedores do Prêmio Nobel preferiu andar de Fiat 600 e sentar em caixote de feira em vez de cadeira para investir toda a fortuna familiar na investigação das causas da intolerância ao leite materno. E não para por aí… 

Mas você tem que ir pra conhecer as histórias. Ou a visita pode ser chata: uma infinidade de tumba e caixão. Amantes das artes e arquitetura tem diversão garantida.

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Um pouco de história

O Cemitério da Recoleta é um dos pontos turísticos mais movimentados de Buenos Aires. Mas nem sempre foi assim. Fundado em 1822, ele foi erguido atrás da Igreja da Nuestra Señora del Pilar (belíssima, vale uma visita) e por muito tempo ficou às  moscas. Até que passou a abrigar a nata de políticos, empresários, artistas e intelectuais da Argentina. O túmulo mais famoso  é da Evita.

Ele recebe diariamente flores, atrai uma mutidão de visitantes e cliques fotográficos de pessoas do mundo inteiro. Evita morreu de câncer em 1952. Mas seu corpo não encontrou sossego facilmente. Foi embalsamado e exposto ao público por ordem do marido. Depois, militares que derrubaram Juan Perón do poder roubaram o corpo dela e esconderam na Itália.

Quando começou a democracia, ele retornou para Buenos Aires. Evita descansou por dois anos em uma sala da Residência Oficial da Presidência da Argentina. Apenas após 24 anos de sua morte, em 1976, o corpo de Evita foi levado para o túmulo da família Duarte, onde está até hoje. O mausoléu de Evita é um dos mais simples do cemitério porque foi transferido para lá quando era novamente ditadura militar. Afinal o que os militares menos queriam era levantar o ardor da comodação peronista.

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Alguns contos medonhos

1. Rufina Cambaceres, a jovem que morreu duas vezes

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No dia do aniversário de 19 anos, a filha do escritor Eugenio Camberes, Rufina foi encontrada morta no meio da rua, em 1903. Ou melhor, os médicos disseram isso e ela foi enterrada… VIVA!!! Depois de alguns dias, trabalhadores do cemitério encontraram seu caixão aberto, com marcas de unha e ela  desta vez estava realmente morta porém com o corpo fora do lugar original.

2.  Liliana Crociati e o seu fiel escudeiro Sabú

Outra moça teve o destino triste. Em 1970, uma avalanche matou Liliana durante sua lua de mel na Áustria. No mesmo dia, seu cachorro faleceu na Argentina. Comovido, o pai fez um mausoléu com a escultura de Liliana acompanhada do seu cachorro.

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3. Salvador María del Carril e Tiburcia Dominguez, presos pelo ódio eterno

Que poucos casamentos terminam com o final feliz a gente já sabe. E o pior deles é quando termina em ódio eterno. O ex-vice-presidente Salvador María del Carril e sua esposa Tiburcia brigaram e ficaram mais de 30 anos sem conversar um com o outro. Quando ele faleceu, ela construiu um mausoléu digno de chefe de Estado, com uma estátua virada para o sul. Quinze anos depois,  Tiburcia morreu e teve o desejo atendido: seu busto foi colocado de costas para o de Del Carril, em demonstração de rancor para além da vida terrena.

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Entenda

O Cemitério da Recoleta abre todos os dias, das 7 h às 17h45.

A entrada é grátis.

A administração oferece tour guiado gratuito às 11 horas e às 15 horas nos idiomas espanhol e inglês, com duração de mais ou menos uma hora e meia.

Na entrada,  é possível comprar um autoguia (mapinha com a indicação dos principais túmulos) por 20 pesos.

No dia da visita vá de tênis e roupa cômoda (pode ser até camiseta e calça esportiva). Se fizer sol, passe protetor solar, use chapéu ou boné,  leve garrafinha de água. Em caso de temperatura baixa, se agasalhe bem (não esqueça o cachecol). Se chover, mude o dia do passeio.

Economize. A visita guiada gratuita em grupos é ótima. Fiz com minha mãe que nunca estudou espanhol e ela entendeu quase tudo. Traduzi o necessário.

O que vestir no inverno

junho 13
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O inverno chegou. Com uma temperatura média de seis graus (e sensação térmica de um ou dois graus) diários, a estação mais fria do ano exige coragem para o frio não abater o psicológico, organização das malas, e uma estratégia lado B de deslocamento em Buenos  Aires.

O cinza prevalece entre as cores da cidade.  Prova disso serão um álbum de fotos com uma  palheta de cores entre tons de cinza, negro, marrom e branco no final da viagem. Desde o telhado negro da arquitetura francesa, céu nublado, neblina e casacos escuros.

O que vestir

Esquentar o peito, costas e garganta  é fundamental na fria e úmida Buenos Aires. Do contrário, além do mal estar da sensação de frio corroendo os ossos, uma série de problemas como gripe, sinusite, bronquite, asma e pneumonia pode amargar a sua vida.

A tradição portenha demanda bota, casacos mais quentinhos, cardigãs, cashmeres, lenços, cachecóis, luvas e gorra. Eles tem fixação por tons monocromáticos, não apenas porque é inverno. O pretinho básico reina absoluto o ano todo e comanda o guarda roupa nas baixas temperaturas. Sair de negro dos pés à cabeça é comum e ninguém vai relacioná-lo às seitas macabras, rock ou membro da família Adams (amo sair toda de preto, arrasou!!!)

Campanha de inverno da Las Pepas

Campanha de inverno da Las Pepas

Look by Vitamina

Look by Vitamina

Para trazer na mala até agosto, a dica é apostar em bota de cano curto ou já viajar com um modelo de cano alto. Pelo menos, um bom casaco, camisas de lã, meia grossa, cachecol e moletom para a hora de dormir. Esqueça jeans ou traga calças quentinhas para usar por baixo. Vestidos e saias só se usa com meias grossas. Se tiver luvas, ótimo!!!

Reprodução: Vitamina

Reprodução: Vitamina

Quem quiser aproveitar a viagem para comprar casacos e jaquetas de couro vai precisar desembolsar uma boa boladinha de dinheiro. Faz tempo que não está vantajoso comprá-los aqui. Quem preza pela qualidade ganha ao levar casacos argentinos. Eles variam de 2 mil a 20 mil pesos.  Uma lembrança quentinha são cashmeres a partir de 400 pesos. Lenços variam entre cem a mil pesos argentinos, assim como cachecóis.

Se o frio estiver demais, calças térmicas custam a partir de 180 pesos. Uma boa opção para usar embaixo da calça jeans.

Uma garota na calle Florida

Uma garota na calle Florida

Como percorrer a  cidade

Recentemente li as dicas de uma mochileira e blogueira (esqueci o nome da página, sacanagem) de São Paulo que não recomendava o uso de metrô em Buenos Aires devido aos riscos de assalto. Ela achou o metrô bem perigoso e circulava a cidade de ônibus e a pé.  O problema é que no frio torna-se inviável bater muita perna com uma sensação térmica de um grau. Buenos Aires é a cidade mais importante e populosa da Argentina. Óbvio que não dá pra dar bobeira.

Mas recomendo o uso do metrô, exceto em dias frios e chuvosos. Porque sobe aquela catinga de murrinha e de gente que foge do chuveiro, mais o bafo normal de pessoas aglomeradas numa construção de subsolo antiga (cruzessss)!!!! Metrô Nem Pensar!!! Definitivamente, você não nasceu pra sofrer!!!!

Percorra médias e longas distâncias de ônibus ou taxi. Se não ventar muito e o frio for suportável, opte por chegar aos pontos turísticos com os ônibus amarelinhos oficiais de turismo. Isso porque a maior parte dos assentos estão no segundo andar, que é aberto. Há apenas  12 poltronas embaixo, o que pode causar superlotamento. Saiba mais Clicando aqui

Onde comer bem em Buenos Aires: mitos e verdades

junho 10
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É quase unanimidade que uma boa comida está entre os melhores prazeres do mundo. Faz tempo que eu queria comentar as verdades e mentiras da culinária argentina, porque quando viajamos, comer bem está no topo do que não abrimos mão.

Como uma boa mineira chata de galocha – extremamente gulosa por comidinhas de lamber os beiços – avalio, de acordo com o meu paladar e de vários brasileiros que topei no meio do caminho (rico, pobre, mochileiro, viajantes em família,a trabalho ou a estudo), em geral, o que realmente achamos sobre as refeições locais. Você pode discordar a vontade. Mas fica a dica:

Caia de boca:

Empanadas:

empanadas

Espécies de pastéizinhos bemmmm gostosos. A massa é o diferencial: leve e crocante. Quase todos os restaurantes e rotiserias (casas que vendem o quitute) oferecem empanadas gostosas.

Dica: O recheio de carne é gostoso, mas nada em especial (carne moída, temperos verdes, tomate e ovo cozido). Os argentinos não são muito bons em recheios de frango, se comparado com os nossos. Recomendo unidades recheadas de verdeo ou verdura (a base de espinafre ou agrião – vai por mim, eu não sou vegetariana) e panceta (bacon com queijo e temperos verdes).

Alguns lugares para se lambuzar com empanadas:

La Morada 

Calle Yrigoyen, 778, Centro.

La Americana
Calle Callao,  83, Centro 
Avenida Corrientes,  1383, Centro 
 
La Cocina
Pueyrredón, 1508, Recoleta 
 
El Juanino 
Avenida Bartolomé Mitre,  1324, Recoleta 
 
La querencia
Junin, 1314, Recoleta 
Aguilar, 2365, Belgrano
 
 
Tartas:
 
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São tortas salgadas espetaculares. Com uma massa fininha que dá show, leva um recheio leve, delicioso, com muito queijo derretido. Não se assuste com enormes recheios de verduras (tipo tijolão). Argentinos são muito bons nisso!!!

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Crossaint tradicional. Gostoso.

Bolos

Chamados de tortas, elas são leves, normalmente airados e, quando levam recheio, o doce é bem suave. Experimente as versões limon pie e de maçã.

Doce de leite

Maravilhoso. Cremoso, leve e com um gostinho de baunilha. Não gaste dinheiro comprando potes caros. Vá ao supermercado e leve algum com embalagem de plástico mesmo, feiozona e barata. Qualquer um será gostoso. O mais consumido é o da marca Sereníssima.

Sorvetes

Cremosos. Muito cremosos. Porém busque indicações de sorveterias que oferecem bons sorvetes, como Jauja, Cadore, Freddo, Persicco e Chungo. Esqueça a exuberância de caldas, confeitos, castanhas, balas, biscoitinhos e chocolates em pedaços, caindo lindamente sob o sorvete em um taça chiquérrima ou transbordando do potinho naquela lambança deliciosa. Eles não são adeptos dessas guloseimas em cima do sorvete. Você terá que pagar complementos a parte e há pouca variedade.

Milanesas

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Se o nosso prato tradicional do dia a dia é o bife com arroz e feijão, os argentinos morrem por uma milanesa. Há um rede de restaurantes com milanesas bemmm gostosas e gigantes (por um precinho amigável), de vários sabores, assada ou frita, de carne de porco, frango ou boi: chamada El Club de La Milanesa.  E o melhor, lá, não te obrigam a pedir metade do prato cheio de batatas ruins.

Pães

Normalmente, são gostosos, macios e de boa variedade.

Nhoque, canelone, macarrão e sorrentino

A massa é uma delícia (tinha que ser né, eles são os reis do trigo). Porém molho e recheios são cruciais na hora de avaliar a qualidade dos pratos. Aqui está o problema de muitos restaurantes também da zona nobre e turística: pão duragem! Quando é bem feito, coma sem dó. A dica é espiar o prato alheio (feio fazer isso né, mas fazer o quê!) para saber se o molho é aguado e paupérrimo ou se vale a pena engordar comendo uma massa dos deuses!

Locro

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É um prato bem calórico e de inverno, feito a base de milho, feijão branco, abóbora, pedaços de carne e cheirinhos verdes. Alguns comparam o locro à feijoada. É bemmm gostoso. Manda descer as pratadas, só um é pouco, minha gente!

Onde comer:

La Cocina

Florida 142, Local 61, Centro

Almacén Secreto

Aguirre 1242, Villa Crespo

La Carretería

Brasil 656, San Telmo

El Sanjuanino

Posadas 1515, Recoleta

Ña Serapia

Av. Las Heras 3357, Palermo

 Em cima do muro

Chipa

Mineirada, vocês sabiam que aqui existe uma espécie de pão de queijo? É gostosinho. Muchibento e com menos sabor a queijo. Legal experimentar e para quem mora ou estuda temporariamente aqui matar um pouquinho a saudade.

Asado (churrasco)

Ponto mais controverso (e pode causar fúria total em muita gente!) A carne é macia, logo o asado argentino é macio (indiscutível). Mas, normalmente, é uma carne muitooooooo gorda. Quem ama carne gorda, aqui é o paraíso. Para quem não gosta, sofre para achar uma mais sequinha.

Problema: sem tempero e complementos meia boca.

Engana-se quem acha que vai comer um bom churrasco em qualquer restaurante só porque está em Buenos Aires. Há muito local pilantra a espera de um turista bobo!

Saiba onde e o que comer. É bom você pesquisar sobre os cortes das carnes antes de fazer os pedidos, por exemplo, o pedaço mais consumido no churrasco argentino é a costela do boi (costilla), vacío é uma carne muito macia (delícia), chorizo é a linguiça (gostoso),  matambre é suculento (mas tem muita gordura),  costeleta.

Fuja do frango (muito seco e sem tempero, ruim mesmo), chichulin (intestino do boi), tripa e morcilla (embutido de sangre de porco e cebolas, cozido e temperado) agrada apenas quem gosta de sabores e texturas marcantes.

Quer comer um churrasco saboroso sem pagar um absurdo pela carne? Siga La Vaca, point de brasileiros e chineses, está localizado em Puerto Madero. É legal comer, pelo menos, uma vez lá. Há variedade de carnes na parrilla, saladas e doces no sistema self service!!! Por pessoa, sai a 250 pesos. Se quiser um asado em um restaurante mais chique, escolha outro depois.

Onde comer:

Las Nazarenas 

Calle Reconquista, 1132, Retiro

La Raya

Calle Ortiz de Ocampo 2566, Palermo

Río Alba 

Calle Cerviño 4499, Palermo

Aquellos Años

Calle Rafael Obligado y La Pampa, Costanera Norte

El 22

Calle Carranza 1950, Palermo

Para acompanhar a carne, experimente Chimichurri, um tempero a base de várias ervas secas e azeite.

Alfajor

São gostosos, porém nem todo mundo gosta. Achou estranho? Pois é! Há quem os ame e outros que os odeiam. Nem todo alfajor é molhadinho e com um recheio recheado digno de “ulalahhh”. Esse é o ponto de discórdia.

Primeiro, é preciso entender que argentinos amam massa seca e esfarinhenta. A grande maioria de alfajores que encontramos no mercado é um bolinho seco, com recheio de doce de leite ou chocolate  e cobertura de chocolate amargo meia boca.  O  alfajor mais antigo é feito com uma espécie de biscoito-maria. Há também o alfajor tradicional: massa, doce de leite e um leve acúçar por cima (sem graça).

Quem quer comer um alfajor delicinha e barato, a marca Jorgito é a mais recomendada e está nas gongolas de todos os supermercados.

Não recomendo

Salsa criolla

Eles teimam que é igual ao nosso vinagrete. Porém, até agora, não tive o prazer de comer alguma salsa criolla temperada e é servida velha em muitos restaurantes. Até mesmo argentinos preferem não comer salsa criolla por duvidar dela. Se eu fosse você,  também não comeria.

Pizzas

Eles amam as pizzas mas, até hoje, juro que não comi nenhuma razoavelmente boa e nem encontro ninguém para ajudar indicar alguma realmente gostosa. Nem argentinos mais criteriosos conseguem. Por educação, digo “está rica!”. Recheios “pão duros”, massa seca e grossa, sem tempero. Um horror! Mas para quem economizar na viagem ou gosta de pizza de qualquer jeito, peça uma para provar. O que não mata, engorda!

Frutas

Banana sem doce. Uva sem sabor. Abacaxi, esqueça. Melancia nem pensar (vai jogar dinheiro no lixo). Manga: muito cara. Kiwi sem sabor. Pomelo: alguns até gostam do suco. Europeus enlouquecem com as frutas daqui. Brasileiros odeiam. Laranja e mexerica aprovadíssimas!!!

Sanduíches

Existem poucas sanduicherias na capital. Quase todos os restaurantes oferecem, mas pouquíssimos fazem sanduíches decentes. Pão seco e velho, pouco ou nenhum molho e mesquinharia total na salada é o mais fácil de encontrar. Normalmente, a carne salva porque é feita no estabelecimento. Você pode pensar: vou ao Subway! Nada disso. O sanduiche não sai quentinho, a carne vem gelada e os molhos não são tão bons.

Mas para tudo há um solução: além das grandes redes de fast food (o doble patagónico do Burguer King é de enlouquecer), há alguns restaurantes ou hamburguerias que fogem do show de horrores das hamburguesas argentinas.

Anota aí onde comer sanduíche gostoso:

Brandon
Calle Fitz Roy 1722 – Palermo
Aceita todos cartões de crédito.

El Refuerzo
Calle Chacabuco, 872. San Telmo
Aceita somente dinheiro.

Burger Joint 

Calle Jorge Luis Borges 1766, a duas quadras da Plaza Serrano.

Dinheiro e cartões de crédito.

Pony Line
Calle Posadas 1086, dentro do hotel Four Seasons, no bairro Retiro, perto do Recoleta.

Aceita todos cartões de crédito.

Chocolate

Esquece. Em geral, argentinos não são bons neles. Algumas chocolaterias suíças em Buenos Aires salvam nosso paladar. Mas vá abrindo a carteira porque qualquer pedacinho custa uma fortuna. Para quem gosta de chocolate amargo, o doce vendido aqui pode agradar. Mas amantes de chocolate ao leite e bombons  de vários sabores se decepcionam muito. Vá a um quiosco (vendinha) e compre uma barra de Milka, chocolates Garotos (pelo dobro do preço) ou um Bombon (algo parecido com Serenata de Amor). Quem quer experimentar outros, vá na fé e sorte!

Batatas

#horríveis. O drama é que vem uma montanha de batatas em quase todos os pratos dos restaurantes. Aqui, na versão frita, elas são mega grossas, encharcadas de óleo e queimadas. Batatas sequinhas, esquece, só no MC Donalds, Burguer King e pouquíssimos restaurantes!

Purê de batata: sem sal nenhum. Batata assada: grossssaaaa e pedir um temperinho é demais? Afff!!!

Fique de olho: A batata pode ser um indicador que um restaurante portenho está te enganando e provavelmente faz comida muito mal feita.

Motivo: para lucrar, muitos restaurantes usam a estratégia de oferecer um pedaço de carne que ocupa metade do prato e o resto é lotado por uma batata horrorosa. Mas claro, você não vai aguentar comer todo aquele potato espantoso e nem vai querer comer só carne. Então, vai pedir mais um prato de salada (na verdade, será uma bacia de folhas, tomate e ovo cozido). No final das contas, você paga, pelo menos, 200 pesos (cerca de 40 reais) para comer carne e salada. Muito caro!

Sacanagem, né? Todos os restaurantes fazem esse jogo sujo? Eu diria que 80%. Por isso não considero tarefa fácil comer bem na Argentina, não apenas em Buenos Aires.  Restaurantes mais caros e alguns que prezam pelo cliente oferecem cardápios mais abertos. Aposte nesses! Há pouco self service e quem não dispensa variedade e comida temperada, opte por comida chinesa ou brasileira – não é a toa que restaurantes brasileiros vivem lotados.

 

Tratamento de pele e cabelo com o médico do amor

junho 9
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Persistência foi o que me levou pela quarta vez ao consultório do dermatologista apelidado por mim de “o médico do amor” ou “dr. Hippie”. As três primeiras consultas frustradas terminaram em um cabo de guerra no qual eu suplicava ácidos fortes para arrancar a pele velha e nascer uma nova camada (tipo bundinha de bebe) sob o rosto. Mas dr. Love me mandava passar aloe vera (a desgramada da babosa). “Que raios passa com esse homem que não me receita um químico mega potente?”, eu reclamava comigo, “a expert” em comprar remédios de laboratórios super caros que despelam o rosto todo.

Plante babosa em casa Foto: banco de imagens

Plante babosa em casa
Foto: banco de imagens

Hoje o médico do amor foi além. Receitou babosa (de novo) com álcool para massagear o couro cabeludo, beber diariamente chá de tilo – algo parecido a chá de camomila. Mais três séries de respiração profunda e sorrir várias vezes ao dia. “Cuma?” Eu ri e fixei o olhar em seu rosto enquanto ele tentava demonstrar que aquilo era científico.

Ou ele quer me relembrar a amar a vida ou existe algum nexo muito valioso entre respiração e saúde dos cabelos que eu não entendi bulhufas. “Eu jogaria na cara dele que consulta vale dinheiro”, disseram algumas pessoas. A verdade é que médicos argentinos são excentricamente naturalistas.

Apaixonei pela loucura de dr. Love. Até a quinta consulta!

Tratamentos malucos a la dr. Love

Tratamentos malucos a la dr. Love

Receitinha de beauté:

(procure seu médico, mas isso daqui não tem como causar problemas:)

Para acne: 

Ácido: Peróxido de Benzoilo. Composto com 2%, pule para 5% e depois para 10% ao longo dos meses. Cuidado para não arrancar e machucar a pele. Essa não é a sua intenção. Cada pele responde ao ácido de um jeito. Mas esse composto é bem básico quando o assunto é retirar manchas e secar acne do rosto. Passar a noite, dormir e limpar com água pela manhã. Evite sol.

Passar a polpa da babosa no rosto. (Plante um pezinho no jardim, na varanda ou área de serviço do seu ap).

Um sabonete composto de enxofre. Lavar a pele pelo menos duas vezes ao dia.

Alimentação saudável.

 Para fortalecer os cabelos e evitar queda dos fios: 

Pantogar: é manipulado em qualquer farmácia de manipulação até sem receita médica.  Tomar dois comprimidos por dia.

Shampoo a base de biotin (vitamina H ou vitamina B7 e Zinco) – Lavar o cabelo e massagear o couro cabeludo todos os dias ou de dois em dois dias.

Receitinha caseira: misturar cerca de 10 gotas de álcool comum em uma folha de babosa e passar no couro cabeludo.

Comer alimentos ricos em ferro: feijão, lentilha, leite, cane, fígado e berinjela. (Chupe laranja em seguida para ajudar a fixar o ferro).

Dr. Love ainda manda respirar fundo para oxigenar o couro cabeludo e sorrir!

Uma página do Facebook que vem causando risadas é a Galãs Feios. Acompanhe! 

Antes de mudar de país, pense bem: ninguém foge da saudade

maio 28
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Muito clara, de uma beleza clássica que emana um misto de doçura e perigo. Bastante escuro, com fantásticas muralhas molhadas pelo vento frio. Estepes. Talvez montanhas. Independente das preferências e dos motivos, alguma vez na vida todos pensamos em como seria melhor viver do outro lado do mundo.

Mas mudar de país pode ser uma das decisões mais difíceis para se levar adiante. Pense bem! O Plano B da vida   começa com  abraços, lágrimas e sorrisos de amigos e familiares em algum aeroporto. Seguido da euforia do mundo novo. Logo, você vai encontrar pessoas fantásticas pelo caminho – algumas para conversar idiotices por poucos minutos, outros companheiros para longa data (e mais uma porção de babacas). O problema é que você vai decorar o mapa da cidade, da estrada, do bar. Ninguém, exceto você, vai entender porque está ali. Também vai descobrir que muitas vezes não terá com quem falar – e quando tiver, muitos não entenderão do que se trata.

Seja por seis meses, seja para a vida toda, morar longe de casa exige estar preparado para encarar muitas verdades sobre você mesmo.

Os novos amores que chegaram, também se vão (se já não bastasse renunciar a comodidade e alegria de viver com os que ama; perder aniversários, velórios e casamentos).

Porque há um enredo do qual ninguém pode fugir: o da saudade. E ela chega com estragos, como um veleiro atingido por um contêiner à  deriva.  Um certo tipo de apocalipse que só você e quem realmente te ama sabem que existe.

É nessa hora que você vai chorar, sentir medo, se arrepender, querer ir embora. Ou, sentir isso tudo, mas chorar porque não quer voltar. Ou sentir as duas coisas, ao mesmo tempo.  Porque tudo tem a sua hora. Talvez você perca, definitivamente, um lugar no mundo para chamá-lo de “seu”.  Mas não se preocupe. Você se perderá um monte de vezes – independente de onde estiver e  quem acompanhá-lo –  e vai se encontrar de algum modo.

A vida tem milhares de episódios nas suas diversas temporadas. É uma série sem fim que não segue um gênero definido. Mistura um pouco de ação, comédia, drama, terror e pornochanchada. E não será mais fácil nem para quem já encenou diversos papéis.

Por isso, pense bem antes de partir. Não é para todos e nem deveria ser. Sair em busca de você não necessariamente trata-se de uma jornada fora do seu mundo. Mas pode, sim, estar há muitas léguas de distância. Antes de mudar, saiba que ninguém pode fugir da saudade: nem de casa e nem do seu novo país.

# “É melhor ser alegre que ser triste

Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza

É preciso um bocado de tristeza”

(Vinícius de Moraes)

Principais pontos turísticos de Buenos Aires de uma só vez

maio 25
2 COMENTÁRIOS

Escolher entre tantos pontos turísticos em Buenos Aires não é tarefa simples. Quanto mais se busca referências em blogs e sites de turismo, surgem museus e bairros novos indicados como roteiros que não podem faltar na sua viagem dos sonhos.

Mas o trajeto pode ser bem mais simples do que parece, sobretudo, se é a sua primeira vez na capital argentina e há pouco tempo para conhecer a cidade.

Sem sombra de dúvidas, todos os principais atrativos turísticos para visitação fazem parte do roteiro do  Buenos Aires Bus. Diferente dos outros ônibus que circulam na cidade, ele é um punjante amarelinho de dois andares, sendo o último aberto (bem típico das reportagens sobre brasileiros pelo mundo no programa do Luciano Huck).

Imagem_ GShow

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A possibilidade de embarques e desembarques ilimitados pelo circuito (Hop ON / Hop OFF ), permite que você conheça o que há de melhor na cidade: museus,  edifícios estatais e históricos, parques e bosques, estádios de futebol, shoppings e ruas de compras.

Com áudio disponível em 10 idiomas, o tour apresenta ainda informações sobre a história, arquitetura e cultura da capital argentina enquanto você contempla a cidade.

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Entenda:

É assim: o tour começa, todos os dias, a partir das 9 horas e há ônibus a cada 20 minutos nos pontos. Ele custa 350 pesos para quem vai fazer o passeio durante 24 horas. Para 48 horas: 470 pesos.

Existem paradas ao longo de todo o passeio e é possível subir e descer quando quiser e quantas vezes quiser enquanto valer o seu ticket.

Em várias ruas turísticas, é possível encontrar um ponto amarelinho de embarque e desembarque. Você pode comprar passagem dentro do ônibus desde que tenha pesos argentinos (não aceitam cartão de crédito, reais ou dólares).  Outra forma é comprar no posto de venda da saída inicial, que fica na avenida Presidente Roque Saenz Pena, 728, há dois quarteirões da calle Florida e pertinho da Casa Rosada.

Duração: 3 horas e 15 minutos

Mapa: junto ao ticket, a empresa entrega um mapa com horários e dos principais pontos turísticos da cidade.

Vale a pena? Muito. O ônibus é confortável e circula com pontualidade britânica, é usado por passageiros do mundo inteiro, o valor é acessível, te deixa na porta dos lugares mais bonitos e interessantes de Buenos Aires, pode fotografar o cotidiano da cidade, grandes edifícios e estátuas que não caberiam na sua foto.

Abaixo segue algumas fotos (com celular capenga) que eu nunca conseguiria fazer em terra firme:

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É uma das melhores formas de fugir dos taxistas que gostam de aproveitar dos turistas, dando voltas e mais voltas sem necessidade e usam taxímetro adulterado, para cobrar corridas muito mais caras do que deveriam.

E o melhor:  NINGUÉM SE PERDE! NEM GASTA HORAS PARA CHEGAR EM UM LUGAR MEQUETREFE indicado por algum guia maluco.  

Onde descer? Com tantos pontos turísticos, ainda pode surgir dúvida de onde desembarcar  para conhecer. A escolha depende do tipo de viagem e das suas preferências pessoais. Mas, por contemplar todos os pontos mais importantes da cidade, não dá para se arrepender. A dica é usar o serviço durante todo o dia e tarde, e, durante a noite, ir ao show de tango, blues e jazz, teatro, cinema, restaurante, boate que escolher.

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Horários, compra online de passagens e pontos de embarque e desembarque aqui

Renovação de votos antes da viagem

maio 24
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O ano vira, a gente faz votos. Quando casamos, surge outra lista de promessas, desta vez em casal (se já abandonou a solteirice).  Nos dois casos, viajar está perdido em algum lugar da listagem. Conhecer um novo lugar – ou voltar para aquele lugarzinho paixão antiga – depende das férias e de até quanto o bolso aguenta. Quando o saldo está positivo ou o desespero por conhecer algo novo e descansar a cabeça é muito grande, outra listinha de “eu juro” deve ser renovada.

Outono em Buenos Aires

Outono em Buenos Aires

1- Ter coragem de fazer o que nunca havia feito – com cuidado.

2 – Não ler mensagem no Whatzapp novamente daquele tipo enrolado, todo baboso para melar o passeio. Ele é pilantra. Esquece de vez!

3- Facebook só terá fotos de novos amores – baleia, focas e pinguins em Puerto Madryn.

4. Só postar imagens do passeio após tomar banho no hotel – nada de perder muitos minutos grudada no celular.

5 – Aguentar sol e chuva e calo no pé; balada e furada; gente doida e comida estranha.

6- “Desligar” o botão do foda-se para o cartão de crédito –  depois tem que parcelá-lo de qualquer jeito.

7- Sobreviver apenas com smartphone e pau de self – cansar carregando máquina, lentes e triplé nem pensar.

8 – Arrumar as malas com antecedência.

9 – Só levar itens necessários

10- Acompanhar e me inspirar no blog Un-Fancy, da Caroline Joy Rentor, para entender (de uma vez por todas) o que diabos é mesmo necessário, clássico e elegante, para não me parecer uma mendiga aloprada no país alheio.

11- Não comprar sapato plataforma que depois nunca vou usar.

12 – Nem cogitar chorar pitangas e reclamar durante o passeio.

13- Jamais mandar um e-mail desaforado e gigantesco para ninguém, muito menos depois de uma briga.

14- Beber um litro e meio de água por dia.

15- Pesquisar tudo na internet, buscar referências e fazer uma planilha de gastos.

16 – Não marcar encontro com nenhum cara chato que conheceu na night.

17- Fugir dos taxistas, suas cobranças excessivas e papos marrentos.

18- Não perder tempo  com assuntos que rendem histeria: Pelé x Maradona e churrasco brasileiro x asado argentino

19 – Não comer demais. Mas se lambuzar comendo delícias…

20 –  Nunca mais dormir de maquiagem – mesmo que sejam 7 da manhã e que eu tenha  entornado todas.

21 – Limpar e hidratar a pele de manhã e à noite.

22 – Não comprar em liquidação só porque está tudo baratinho.

23- Não pagar bagagem extra.

24 – Não desfazer de todos os pertences para encaixar as novas tranqueiras.

25- Nunca mais fumar quando beber.

26 – Fugir das massas.

27- Maneirar nos doces.

28- Não apaixonar pelo boy magia de uma terra distante por mais de um dia.

29 – Só se  amarrar por mais de uma semana no sujeito com algo em comum: viajar pelo mundo e a paixão por Kombis.

30 – Só se amarrar no sujeito que além do item anterior, tenha um pezinho de meia para sair desbandeirado em busca de novos lugares e culturas.

31 – Pensar mais de duas vezes antes de largar tudo e mudar de vida.

32- Marcar hora no médico e no dentista para depois da viagem.

33 – Acionar a mensagem automática de férias do email (estilo: não perturbe, Fulana de tal vai ficar responsável pela tarefa na empresa até eu voltar)

34- Usar protetor solar todos os dias.

35- Informar diariamente que estou bem para meus pais.

36- Manter contato com pessoas legais que conheci.

37- Quando voltar, não relatar tudo nos mínimos detalhes e relembrar da viagem a cada instante.

38- Recompor forças para seguir sempre em busca dos sonhos.

38- Ser feliz!

Porque, se inventaram alguma coisa melhor  do que viajar, please, me avise!!!

Aeropuerto de Ezeiza: tudo o que você precisa saber

maio 23
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O Aeropuerto Internacional de Ezeiza é a principal porta de entrada de estrangeiros na Argentina. Com uma oferta grande de voos durante 24 horas por dia, é neste aeroporto que as passagens aéreas para Buenos Aires costumam custar menos, principalmente na madrugada.

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Então, quem deseja economizar na passagem não precisa ter receio em comprar um bilhete para meia noite em diante. Mesmo fora da alta temporada (janeiro e fevereiro; junho e julho) e em dias do meio da semana, o fluxo de passageiros costuma ser grande, há policiamente e ônibus de fácil acesso para a região central da capital argentina, sem interrupção, entre as 12 horas e seis da manhã.

::Entenda::

Alfândega: Além de produtos cortantes, inflamáveis, armas, drogas e animais silvestres, a alfândega argentina recolhe com rigor plantas e alimentos agrícolas originários do Brasil. Por isso, intercambistas e visitantes nem pensar em trazer sacos de feijão,  frutas, orquídeas, mudas de árvores frutíferas, pois eles serão confiscados.

Transporte: Turistas desprevenidos ou desinformados podem ser  um alvo fácil para quem espera lucrar em cima disso. Para evitar esses inconvenientes, vale a pena conferir as possibilidades que estão mais em conta e planejar tudo com antecedência.

-Ônibus executivo Manuel Tienda Leon: oferece ao passageiro desde conforto, preço intermediário (175 pesos em junho de 2016) e partidas de meia em meia hora para o Terminal  Madeiro, próximo à estação Retiro, da linha C do metrô. E o melhor:  não interrompe as viagens na madrugada e a empresa deixa você na porta do hotel, hostel ou apartamento localizados no centro, Palermo, Recoleta e San Telmo por apenas 20 pesos a mais. O guichê de compra e  partida fica dentro do aeroporto. Saiba mais clicando aqui.

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– Ônibus executivo da ArBus de Ezeiza para o Aeroparque (aeroporto que fica na região central): opção gratuita para clientes da Aerolíneas Argentinas e custa 150 pesos para quem viajar pelas  demais companhias aéreas. Há vários horários disponíveis até na madrugada. É o melhor transporte  quem vai fazer conexão e precisa trocar de aeroporto para chegar a Córdoba, Mendonza, Bariloche, entre outras cidades. Você pode comprar passagens no site da empresa (clique aqui) e usar o cartão de metro SUBE.

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– Táxi Ezeiza: é um sistema de taxis com tarifas que variam entre 430 e 580 (valor de junho de 2016) dependendo do local da cidade de Buenos Aires.  Você paga a passagem em um guichê que fica dentro do aeroporto em pesos, reais ou dólares. Ao contrário dos tradicionais táxis preto e amarelo de Buenos Aires,  o Táxi Ezeiza é branco. A reserva pode ser feita pela internet aqui

– Ônibus número 8: opção mais barata de todas (menos de 10 pesos), trata-se de um ônibus de linha que faz o trajeto do aeroporto de Ezeiza até o centro de Buenos Aires em duas horas de duração. Famoso pinga-pinga: percorre  vários bairros. O ponto fica localizado fora do aeroporto e é possível pagar ônibus com moedas ou com o cartão de transporte SUBE.

Não caia no golpe: Outra possibilidade são os remis – carros particulares – que oferecem preço fechado. Na saída do desembarque internacional há vários deles. Assim como na saída do aeroporto existem vários taxistas.  Mas a chance de cair num golpe é muito grande: tradicionalmente, eles aumentam preços porque possuem taxímetros adulterados, cobram ilegalmente para retirar malas do bagageiro e por bagagem extra. FUJA da tramoia!!

Distância e tempo gasto para se chegar ao centro de Buenos Aires: o aeroporto está localizado a cerca de 60 Km do Obelisco. Em média, o percurso dura de 20 a 5o minutos entre a região central e o aeroporto de carro e ônibus executivo.

Câmbio: uma agência do Banco de La Nación dentro do aeroporto é a parada inicial dos brasileiros que querem trocar reais ou dólares por pesos. O banco cobra o câmbio oficial. A dica é, quando desembarcar, trocar um pouco de dinheiro que dê para você pagar o transporte, alimentação e custos iniciais até ter tempo de percorrer casas de câmbio no centro financeiro de Buenos Aires, como calle Sarmiento, onde há várias delas uma em frente a outra.

Tomadas: Ponto negativo. Zero tomadas no saguão de espera no embarque e desembarque internacional. (Mas se o seu olhar biônico encontrou alguma ou a administração do aeroporto resolveu esse problema, comente esse post e indique onde elas estão)

Internet: Péssima. Nem perca o seu tempo.

Banheiros: amplos e, normalmente, limpos. Não conta com nenhuma tecnologia especial que cause preocupação em não pagar mico ou não conseguir usá-lo. O que pode parecer diferente para alguns, é o sistema de descarga do vaso sanitário. Basta levantar o popô da tampa que, automaticamente, o mecanismo é ativado.

Funcionários: embora mais da metade dos turistas gringos que desembarcam na Argentina sejam brasileiros, ainda é difícil encontrar funcionários das linhas aéreas e do terminal que falem português bem. Mas, com o jeitinho, o seu portunhol não deixará a desejar. Eles já estão acostumados. O nível de dificuldade na compreensão costuma ser baixo. Se você não souber nada em espanhol, fale devagar, sem gírias nem neologismos e use palavras fáceis. Seja direto e conciso.

Cadeiras: O aeroporto não é grande. Dependendo do horário, ele fica lotado e conseguir uma cadeira para se sentar é igual ganhar na loteria. São poucas poltroninhas espalhadas.

Mapa da cidade:  lojinhas de souveniers e livrarias oferecem mapas de Buenos Aires em letras e legendas grandes. Além de um caderninho completo com o mapa da cidade, linhas de ônibus e de metro. Esse último cabe no bolso. Opção mais discreta para quem não quer dar bandeira de turista o tempo inteiro.  Preços mais baixos dos exemplares você encontra nas bancas de jornais e revistas localizadas no centro da cidade.

Boa viagem!!!

Viagem de carro à Argentina – segredos da estrada

fevereiro 17
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Viajar é um dos grandes prazeres da vida que não deve ser deixada de lado devido a escalada de preços das passagens aérea. Nas redes sociais, há relatos de várias pessoas surpreendidas com os valores da passagem aérea para Buenos Aires mesmo quando buscam com seis a oito meses de antecedência da data do embarque pretendido, ao contrário do que acontecia há um ano ou mais. Tanto é que publicamos um post sobre economizar até 50% no valor da passagem

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Para quem não dispensa viajar, a opção colocar o carro na estrada deve ser levada em conta,  em decorrência da economia feita no percurso com carros econômicos – o litro da gasolina sai por cerca de 15 pesos argentinos – e divisão dos custos com os demais passageiros do veículo. É a oportunidade para colecionar histórias e calmas rodovias argentinas, onde a jornada, sem dúvida, é mais importante que o destino. Colocar o carro na estrada é a chance de testemunhar como um só país pode conter vários outros.

Mas uma viagem de carro começa bem antes de se abrir a porta para entrar no quatro rodas e partir. Primeiro, é necessário planejamento prévio detalhado.

Para a gente se blindar dos perrengues na estrada, listamos o que você deve saber para chegar a Buenos Aires de carro.

1 – Carta Verde

Para viajar de carro no Mercosul é obrigatório a Carta Verde, um seguro que cobre danos corporais e materiais causados a terceiros. O valor muda de acordo com o modelo do carro e o tempo que pretende ficar em cada país. Para isso é necessário passar à seguradora todas as informações e documentos do carro.  O seguro é válido por um ano e não substitui o seguro do carro. Então, tenha ambos em dia.

2 – Pedágios

Foz do Iguaçu e Uruguayana são as principais fronteiras que dão acesso a Argentina. Delas até Buenos Aires, o motorista terá que pagar cerca de sete pedágios, cujos preços podem mudar de acordo com a província. Por exemplo, em Misiones e Entre Ríos, o pedágio para carros e vans custa 15 pesos argentinos. Em Buenos Aires, sai, dependendo do trecho da rodovia, varia entre 50 e 25 pesos.

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3- Supostos pontos de parada podem ser  galpões de distribuição de drogas

A fachada supõe que trata-se de uma loja de conveniência, de produtos regionais ou hotel na estrada. Mas nem sempre é o que se parece. Não é tarefa fácil encontrar um bom ponto de parada para comprar comida, lanche rápido e produtos do campo.

Depois de rodar várias rodovias argentinas e conversar com agricultores locais, encontrei grandes e médios estabelecimentos que se disfarçam de lojas, mas, na verdade são pontos de distribuição de drogas e lavagem de dinheiro. Empresas que simulam um funcionamento perfeito. Estacionam carros e caminhões na entrada para simular atendimento ao público, fixam grandes placas publicitárias e bandeirolas por vários quilômetros em rodovias federais, em frente aos postos da polícia rodoviária e federal.

Para não ter o desprazer de entrar aonde você não é bem-vindo, peça referência de pontos de parada a frentistas, moradores e agricultores locais. É a forma mais segura, já que se esse mercado convive tão pacificamente com a polícia, provavelmente ela esteja envolvida no esquema. Outra forma segura é entrar em estabelecimentos frequentados por famílias ou pequenos estabecimentos que, do lado de fora, você sabe que se trata de venda de comida.

4 – Por onde passar

Viajar para Buenos Aires de carro significa cruzar as províncias de Misiones, Corrientes e Entre Ríos. Três estados pobres da Argentina,  sustentados pelo agrobusiness, com baixa infraestrutura hoteleira e de estabelecimentos comerciais à beira das estradas. Dependendo do horário da viagem e do trecho, você percorrerá trechos vazios a desertos. Por isso, não esqueça de abastecer o carro de gasolina e de lanchinhos antes de sair do Brasil, além dos itens de segurança obrigatórios do veículo. Os moradores costumam ser bem simpáticos, uma espécie de mineiros.

5 – Policiamento

Esteja com os documentos pessoais e do carro em ordem. O documento de identidade deve ter sido expedido em no máximo 10 anos e a carteira de motorista em dia. Há vários postos da polícia na qual você sera submetido a perguntas e vistoria de bagagem.

6- Estude as melhores rotas e as condições da pista

As rodovias nacionais argentinas estão em bom ou muito bom estado. Buracos e desnivelamento no asfalto podem ser encontrados em rodovias estaduais. Mas, ainda assim, estão melhores que as estradas do interior do Parana, Rio Grande do Sul e da Bahia.

Boa viagem!

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